Minha opinião sobre “O Príncipe”, de Maquiavel
Ontem, dia 10/10/2025, terminei de ler o livro O Príncipe, de Maquiavel, e quero compartilhar aqui minha humilde opinião sobre a leitura.
Em primeiro lugar, achei interessante a forma como Maquiavel trata a política de maneira direta, quase como se dissesse: “É assim e pronto”. Ele utiliza exemplos históricos para sustentar seus argumentos e escreve de forma bastante objetiva. Maquiavel apresenta a política como uma arte voltada unicamente para a manutenção do poder, sem se preocupar com princípios morais — ponto com o qual discordo profundamente.
Logo no início da obra, ele explica os diferentes tipos de principados e as formas de conquistá-los. Fala dos Principados Hereditários e dos Principados Novos. Os primeiros, transmitidos de pai para filho, são mais fáceis de manter, pois o povo já está acostumado àquela família, ao seu modo de governar e às suas leis. Já os principados novos são mais difíceis de conservar, pois a população, acostumada ao modo de vida anterior, tende a resistir à mudança de governante e de leis.
Ao longo do livro, Maquiavel discorre sobre as maneiras de conquistar e manter um principado novo, sobre como reconquistá-lo e, também, sobre qual tipo de exército é mais adequado — se próprio, misto ou mercenário. Ele defende o uso do exército próprio, por estar sujeito apenas ao príncipe, enquanto os exércitos mercenários e mistos lutam por interesse financeiro e podem facilmente mudar de lado se receberem uma oferta melhor.
A leitura é bastante proveitosa, especialmente ao compará-la com a política moderna. O que Maquiavel descreve no século XVI reflete, em muitos aspectos, o funcionamento da política atual.
Contudo, discordo de sua visão, pois entendo a política de forma diferente. Enquanto Maquiavel a enxerga como a busca e manutenção do poder pelo poder, eu a vejo como a organização da sociedade em busca do bem comum, na qual os princípios morais são fundamentais.
Como católico, defendo um regime misto, que una a figura do príncipe — ou seja, uma monarquia — com a participação da sociedade na definição das questões locais que influenciam o dia a dia das pessoas. Chamo isso de Monarquia Tradicional, termo usado para descrever a monarquia de São Luís IX, na França; a dos Reis Católicos, Isabel e Fernando, na Espanha; e a de Portugal até a União Ibérica, com Dom Sebastião.
Dentre esses exemplos, prefiro o modelo português, pois nele havia uma clara divisão de funções entre o rei, a nobreza e a sociedade. O rei detinha o direito de regnare — isto é, reinar —, e cabia a ele proteger as terras, cidades e vilas. A partir de uma concessão real, fundava-se uma vila ou cidade (os Foros Municipais), onde eram realizadas eleições para os Concelhos Municipais, responsáveis por eleger representantes que tratariam diretamente com o rei sobre as demandas locais. Esse modelo, aliás, foi aplicado no Brasil — o caso mais famoso é o da eleição de São Vicente, ainda no século XVI.
Poderia me alongar mais sobre o assunto, mas deixo como sugestão de leitura os livros: Os Donos do Poder, Organização Profissional e Representação de Classes e De Regno (de São Tomás de Aquino).
Muito obrigado por terem lido até aqui.Deus abençoe a todos. Viva Cristo Rei!
Livros indicados:
De Regno: https://pt.scribd.com/document/708180015/De-Regno-Santo-Tomas-de-Aquino-TRADUZIDO-1
Os Donos do Poder: https://docs.google.com/file/d/0B-vWcDYCKP5sMjFhMWU3MmYtZWVjNC00Mjc4LTk2OWUtMDQ4M2VhYWJlOGY1/edit?hl=pt_BR&resourcekey=0-ML3_H2WjM1yD0_XGKTi4cg
Organização Profissional e Representação de Classes: https://drive.google.com/file/d/1pgT1pj5PF9fy-3o4y9fqrROlHnCE2x8v/view


"Maquiavel apresenta a política como uma arte voltada unicamente para a manutenção do poder, sem se preocupar com princípios morais"
Você acha que a classe política atual está preocupada com princípios morais? Eu pergunto porque, talvez, Maquiavel, visse no tempo em que viveu, que a classe política sempre esteve preocupada em se manter no poder mesmo que tivesse que se abster de qualquer princípio moral para isso. E se olharmos para uma boa parcela, se não toda, da classe política ocidental, vemos que políticos fazem mão de qualquer coisa para se manterem no poder
Gostei muito do seu texto.