O Orgulho que Não Flui

O orgulho é como um rio que se recusa ao curso — estagna na margem onde se julga completo, sem jamais provar a vertigem do fluxo, sem jamais encontrar a outra margem.
Infla-se de si, para além da justa medida, como um odre velho que já não comporta vinho novo. Fecha-se ao sopro do diverso, ao espelho do outro, torna-se impermeável à crítica, e, portanto, à transformação.
Quem se isola em sua própria certeza acorrenta-se à própria sombra — não vê, não ouve, não cresce.
Mas o conhecimento exige poros abertos, disposição para escutar o que desestabiliza, coragem para reconhecer limites,e humildade para habitá-los.
A verdade não é trincheira individual, é campo comum onde muitas vozes se tocam. Quem diz “minha opinião basta” levanta muros onde deveriam brotar pontes.
A sabedoria não floresce na autossuficiência, mas na entrega àquilo que ainda não se sabe. O rio que se crê mar jamais alcançará o oceano.


Que texto rico e bem produzido. A profundidade com que dispõe sobre o orgulho vai para além das palavras e torna-se quase palpável. Parabéns!