No ardente conflito de Ares, até a morte ainda pulsa a viva chama do fogo em movimento.

As almas ceifadas por Ares são mais puras do que aquelas vencidas pela languidez da enfermidade. Homens — e até Deuses — curvam-se em reverência diante dos que tombam sob a fúria incandescente de Ares.
Mas Ares não reina só nos campos de guerra. Ele impera na ira, no embate, no ardor secreto, no caos fecundo onde se forja o ser.
Morrer sem jamais ter ardido é morrer duas vezes.
Quem atravessa os dias sem chama no peito, com o coração plácido como lago estagnado, leva consigo uma alma aquosa, pálida, indigna das honrarias reservadas ao fogo.
É melhor ao gélido endurecer e desabar em lama.
Mas a alma ceifada no fervor da batalha, seja qual for a guerra — no incêndio das emoções, na luta interna ou no brado dos campos — permanece viva além do véu da morte, que arde, inflama e queima da mesma substância do fogo.
O sangue — como o amor — é cálido não por acaso.
A chama nos impele, nos transfigura, nos embala.
Quem carece desse rubor, carece de pulso e de rumo.
Pois é o furor do sangue e da alma que nos lança como setas em direção ao alvo, ao movimento e ao destino.
Movimenta-te!
É preciso ter caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante e lançar clarões sobre o mundo.
O atrito da dança dos contrários acende a sagrada chama do Lógos que aquece o sangue, fomenta o espírito e inflama a paixão.
Seja então verão invencível no âmago do inverno.
Deixemos a paz àqueles que morrem.
Nós, enquanto respiramos, ansiamos por tudo: movimento, febre, dor, prazer — todo o caos fulgurante que o fogo do Lógos nos pode ofertar.
Ame com fervor.
Odeie com fervor.
Mas seja como for, alimente a caldeira ardente em teu peito, e assim jamais te faltará força para sonhar.

