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Ouça o Lógos Heraclítico

Público·516 membros

No ardente conflito de Ares, até a morte ainda pulsa a viva chama do fogo em movimento.

As almas ceifadas por Ares são mais puras do que aquelas vencidas pela languidez da enfermidade. Homens — e até Deuses — curvam-se em reverência diante dos que tombam sob a fúria incandescente de Ares.

Mas Ares não reina só nos campos de guerra. Ele impera na ira, no embate, no ardor secreto, no caos fecundo onde se forja o ser.

Morrer sem jamais ter ardido é morrer duas vezes.

Quem atravessa os dias sem chama no peito, com o coração plácido como lago estagnado, leva consigo uma alma aquosa, pálida, indigna das honrarias reservadas ao fogo.

É melhor ao gélido endurecer e desabar em lama.

Mas a alma ceifada no fervor da batalha, seja qual for a guerra — no incêndio das emoções, na luta interna ou no brado dos campos — permanece viva além do véu da morte, que arde, inflama e queima da mesma substância do fogo.

O sangue — como o amor — é cálido não por acaso.

A chama nos impele, nos transfigura, nos embala.

Quem carece desse rubor, carece de pulso e de rumo.

Pois é o furor do sangue e da alma que nos lança como setas em direção ao alvo, ao movimento e ao destino.

Movimenta-te!

É preciso ter caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante e lançar clarões sobre o mundo.

O atrito da dança dos contrários acende a sagrada chama do Lógos que aquece o sangue, fomenta o espírito e inflama a paixão.

Seja então verão invencível no âmago do inverno.

Deixemos a paz àqueles que morrem.

Nós, enquanto respiramos, ansiamos por tudo: movimento, febre, dor, prazer — todo o caos fulgurante que o fogo do Lógos nos pode ofertar.

Ame com fervor.

Odeie com fervor.

Mas seja como for, alimente a caldeira ardente em teu peito, e assim jamais te faltará força para sonhar.

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