Entre a verdade e a expressão da verdade.

A verdade está para sempre além do alcance da linguagem. Toda expressão é, por natureza, uma mediação frágil, um véu tecido de conceitos e imagens que o espírito constrói para não naufragarna vastidão do que não pode nomear.
A realidade em si — a essência infinita das coisas —não se deixa capturar por nenhuma rede de palavras, não se dobra ao limite dos signos, nem se deixa conter nas formas claras da razão.
O que é, é mais: mais do que o que dizemos, mais do que o que ousamos imaginar, mais do que o que conseguimos pensar.
Cada linguagem é um mapa, mas jamais o território; um reflexo, mas jamais a fonte; uma ponte, mas jamais o outro lado.
Por isso, toda expressão é provisória, uma tentativa humilde de tocar o intocável, de traçar contornos ao que não tem bordas, de desenhar o vento, de conter a água com as mãos.
Assim, seguimos: com palavras que sempre falham, mas que, ao falhar, apontam, e ao apontar, anunciam — não o domínio, mas a presença secreta do que sempre escapa.


A verdade é puramente, e unicamente, aquilo que é. - F.R.L.