BDSM é imoral e fere a dignidade humana?
Recentemente tive um debate sobre BDSM e levantei um argumento filosófico que gostaria de submeter à análise de outras pessoas interessadas em ética. Minha posição foi que práticas associadas ao BDSM podem entrar em conflito com três ideias fundamentais: dignidade humana, liberdade pessoal e moralidade das relações humanas.
Para sustentar isso, mencionei um princípio da ética de Immanuel Kant: a ideia de que o ser humano deve ser tratado sempre como um fim em si mesmo e nunca apenas como um meio. A partir desse princípio, argumentei que práticas baseadas em dominação, submissão ou objetificação corporal podem entrar em tensão com a dignidade da pessoa, mesmo quando há consentimento.
Também mencionei outro ponto presente na filosofia moral kantiana: o ser humano não deve tratar nem a si mesmo nem os outros como uma coisa ou instrumento. Alguns intérpretes aplicam esse princípio à sexualidade justamente para discutir se certas práticas transformam a pessoa em objeto de prazer ou de poder.
No entanto, as pessoas com quem eu estava debatendo disseram que esse argumento não faz sentido e que eu estaria tirando Kant do contexto.
Por isso gostaria de ouvir outras opiniões, especialmente de quem conhece filosofia moral.
Minha pergunta é simples:
A aplicação do princípio kantiano de dignidade humana para criticar práticas como BDSM é filosoficamente plausível, ou realmente seria um uso fora de contexto da teoria de Kant?
Se possível, gostaria também de saber se existem filósofos que já discutiram essa relação entre dignidade humana, objetificação e práticas sexuais desse tipo.
Estou interessado em ouvir argumentos filosóficos sérios sobre o tema, tanto concordando quanto discordando.
