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David Hume - Uma Invest. sobre Entendimento Humano

Público·511 membros

Um ideal de homem na obra de Hume?

Hoje eu estava lendo a primeira seção desta obra de Hume, e algo me chamou a atenção por sua - aparente à primeira vista - distância em relação ao tema proposto no título da seção. Eu realmente esperava da seção um enfoque em algum tipo de classificação e/ou o detalhamento de categorias diversas de Filosofia, ou algo assim.


Claro, pouco havia disso.


Mas no meio da defesa feita por Hume da necessidade de investigar os limites do entendimento humano a fim de fazer frente a uma filosofia "obscura", e visivelmente contaminada por "preconceito" e "superstição" (p.23), surge uma reflexão breve sobre o que, ao menos para mim, pareceu ser uma tentativa de elencar elementos que compõem o corpo de interesses de um homem ideal, ou ainda, que componham um ethos ideal. Esse ethos, se eu entendi corretamente, estaria sustentado por um tripé que consiste em: reflexão, socialização e trabalho (Sobre isso vocês podem ver a página 17 da edição que compartilhamos aqui).


Diante desse ideal, o tipo de metafísica defendido por Hume, ou melhor, a "verdadeira metafísica" (p. 25) que Hume menciona, parece ganhar uma importância fundamental: Munir o homem do que ele chama de "precisão" (p.21), e que eu não consegui, até então, entender exatamente do que se trata, mas parece tratar-se de uma forma de especialização que confere distinção a aquele que a possui, dado o esforço "doloroso" e "árduo" (p.23) necessário a sua obtenção.


Esse ideal de fato existe ou foi apenas uma dedução incorreta da minha parte? Se existe, alguém por aí viu pistas desse ideal em outras partes da obra?





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Carlos Eduardo Araujo Costa
Carlos Eduardo Araujo Costa
24 de jul. de 2025

Sua observação está correta sim. É possível extrair do texto um ideal de homem, embora ele não o descreva como uma antropologia filosófica. Entretanto, penso que a "precisão" que Hume defende não seja no sentido de "especialização" como entendemos hoje, mas sim uma clareza conceitual e rigor lógico de termos e ideias, sem linguagem vaga e conceitos mal definidos. Então me parece que "precisão" se contrapõe ao conceito de "obscurantismo". Também penso ser bem problemático limitar o conhecimento filosófico apenas àquilo que seja preciso ou claro, pois por vezes pode ser emprobrecedor. Há muitos conhecimentos que demandam profundidade, e por natureza são obscuros inicialmente, já que a obscuridade pode muito bem ser apenas uma fase legítima do processo de assimilação.

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