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Ágora

Público·2397 membros

Me peguei refletindo sobre as obras publicadas pela LOGOS, tanto as de assinatura como as complementares (Virgílio e Leviatã)


Entendo que a LOGOS está seguindo uma linha muito interessante no que tange a seu processo de formação pedagógico-filosófico, iniciando pelo ISAGOGUE, dando os primeiros passos nas categorias filosóficas, indo na metafísica como filosofia primeira, mas sem se tornar inacessível para o iniciante.


Posteriormente temos Virgílio como leitura complementar, formando a cultura do leitor para com os clássicos, dando horizonte literário-cultural-estético, bem como um panorama histórico, já numa base iniciada pela iniciação metafísica prévia.


A posteriori, temos O Princípe, dando inicío à perquiricção da ciência política sem cair em politicagem, expondo os problemas, conceitos e paradigmas da vida civil, do Estado e da força violenta, tendo Maquiavel como chave de entendimento para uma análise menos utópica normativa, mas sim mais crítica descritiva (sem ser mera reprodução de fatos, mas sim um alerta). A formação política urge para que o estudante de filosofia não se descole da realidade fenomênica em abstrações.


Não obstante, logo após o lancamento d'O Princípe, veio a novidade do magnum opus de Hobbes em dois volumes: Leviatã, obra política e polêmica que com certeza bebeu de Maquiavel e expandiu os horizontes da ciência (e também da filosofia) política, com conceitos de soberania, Estado, pacto social e um funcionamento pragmático que beira (ou até ultrapassa) o autoritarismo como resposta à anarquia e desordem.


Superada essa imersão política, veio à baila os Fragmentos do pré-socrático Heráclito, protagonista dos filosófos da natureza, junto de Parmênides, rivalizando entre Ser x Devir, Movimento x Permanência, conflito esse que permitiu e gerou Platão.


Esse retorno aos pré-socráticos, em especial Heráclito, após uma navegação introdutória pela metafísica e filosofia política, com complementos de historicidade e literatura, é de grande valia, pois permite resgatar e dar fôlego à Heráclito, sem ficar resumido à alegoria do rio, permitindo então um aprofundamento de sua filosofia e o que significa ele para a história do pensar.


Creio que essa jornada que a LOGOS escolheu é muito fortuita e interessante, no qual evoluimos de abstração e abordagens, sem necessariamente seguir uma ordem cronológica, tendo uma dinamicidade mais eclética e funcional, no qual tomamos as ferramentas iniciais para escavar os pensadores e ideias.


Ansioso pelos próximos lançamentos nessa empreita intelectual.


Até mais, SAPERE AUDE, amigos.

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Tássio L. L. Tavares
02.04.2025 г.

Pensei a mesma coisa! A ordem está um espetáculo, tanto na didática de apresentação, quanto do ponto de vista comercial, atrativo e para formação de catálogo. Estou adorando tudo!

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