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Ágora

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O Princípe de Maquiavel

Ontem chegou para mim a obra d'O Princípe. Primeiro, parabenizo a Editora Logos pela qualidade e empenho. Muito bom o material. No qua tange à obra, já fiz a leitura da mesma anteriormente, todavia irei realizar uma releitura, agora nessa edição com notas e com o ABC de Filosofia que será de grande valia. Outrossim, a obra sempre me cativou por ser um paradigma e marco na história do pensamento, sendo por excelência o ponto de ruptura entre Filosofia Política e Ciência Política.


É interessante se observar a vida de Maquiavel, para com isso entender e compreender todo panorama, metas, e bases que ele se vale em suas obras, em especial a obra em tela.


O Princípe é sempre comentado, seja demonizando-o, seja louvando-o, quer na Filosofia, como nas áreas adminstrativas e gerenciais, tamanha sua influência, dinamismo e atualidade. Uma obra do séc XV que consegue ser polemizada no séc XXI tem que possuir algo a mais e ter em seu escopo críticas atemporais e descrições e prescrições de elementos da vida civil que nos fazem visualizar nossa própria ingenuidade, maldade, criatividade e complexidade.


Maquiavel é quase que um radiologista do sistema político, quer corrupto, quer honesto, e para ele, essa dualidade moral não importa: o poder ainda é o cerne da questão, pois é por meio dele que se governa e que se tem a possibilidade de se transformar a realidade por meio do Estado.

O Princípe não é um ideal, tal como o rei-filosófo platônico, nem uma demonização do servidor público, mas uma análise prática e funcionalista do exercício do poder, pelo poder, no qual regras técnicas valem mais que regras morais.


Maquiavel não era imoral, ele apenas visualizou a política pela ótica inovadora e cética: não se valeu de construtos hipostáticos como os metafísicos antigos. Sua obra visa uma descrição da realidade política, quer como alerta para os cidadãos para com seus governantes, quer como um diagnóstico frio para os governantes não subirem a cabeça com idealismos moralistas e utópicos, bem como expondo a verdadeira face do poder: relacionamentos.


Após reler essa obra da Logos, com o material de apoio, voltarei com uma reanálise, na qual espero ampliar o que expus aqui, seja para abandonar o que disse, seja para concordar, ou para ampliar ainda mais a discussão que essa calorosa obra sempre traz a baila.

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Belle
Belle
Mar 04

Henrique, gostaria de compartilhar seu e-mail? Após começar meus estudos, pelo seu texto, seria agradável discutir com você.

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